Para comemorar os 30 anos da Nismo a Nissan Ibérica decidiu reduzir o preço do 370Z Nismo em nada menos do que 20 000 euros.  Ou seja, agora, o Nissan 370Z Nismo passou a estar ao mesmo nível de preço de um coupé Diesel alemão como o Audi TT 2.0 TDI ou o BMW 420d. É agora ou nunca…

Sessenta e cinco mil e oitocentos euros (assim mesmo por extenso que é para não existirem enganos) é o preço atual do Nissan 370Z Nismo ano modelo 2016, o que representa uma inédita descida de 20 000 euros relativamente aos mais de 85 000 euros que custava à um par de meses. A justificação oficial é a comemoração dos 30 anos da Nismo, associada ao facto de a Nissan já ter confirmado que, pelo menos na próxima geração de produtos da marca, não vai existir lugar para o Z no seu formato clássico de coupé desportivo; o Z vai passar a ser uma submarca de modelos crossover. Por tudo isto, ou aproveita agora para comprar um 370Z Nismo ou, como se diz nos casamentos, “cale-se para sempre”.

Um super V6 ou Diesel 2.0?

Quem procura um desportivo por cerca de 65 000 euros tem por hábito limitar a sua pesquisa aos típicos dois litros Diesel germânicos, como, por exemplo, o Audi TT 2.0 TDI ou BMW 420d com níveis de equipamento generosos (navegação, sistema de som alta fidelidade, linha desportiva completa…); é verdade que por esses valores pode-se chegar ao TT quattro a gasolina ou ao BMW 428i, mas o TT 2.0 Diesel bem equipado/personalizado é a melhor proposta da gama e no caso do BMW Série 4 a única motorização a gasolina que os portugueses compram é o 435i com seis cilindros.

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Ora, o grande objetivo deste trabalho é mostrar que, graças ao presente de aniversário da Nissan, podem passar na sua lista de preferências um verdadeiro desportivo com um excelente motor V6 a gasolina, é ele o 370Z Nismo.

Sê-lo ou parecê-lo?

Uma dos aspetos mais interessantes deste comparativo é que cada um dos três protagonistas representa uma experiência de condução completamente diferente.

Com suspensões dianteiras de triângulos sobrepostos, dois lugares e um potente motor V6 3.7 a gasolina, o Nissan é um desportivo puro e duro, concorrente natural de carros como o Porsche Cayman. Ou seja, algo pertencente a uma liga que não costuma estar acessível por este preço com “zero” quilómetros. O passo seguinte é o Audi TT. É verdade que possui tração dianteira e é baseado na plataforma do modelo familiar mais popular na Europa, o VW Golf VII, mas o alto conteúdo de alumínio tanto na estrutura como na carroçaria, o baixo peso e uma excelente afinação do chassis fazem dele especial de conduzir. Por fim, o BMW 420d é pouco mais que uma versão coupé da berlina Série 3, sendo o mais normal e racional deste trio, bem como o único com espaço para quatro adultos; no TT, que é um 2+2, é possível viajarem quatro ocupantes mas apenas em trajetos curtos ou se forem crianças a ocupar os lugares traseiros.

Esta maior polivalência de utilização do BMW 420d encontra um perfeito paralelo na facilidade de condução, sobretudo se considerarmos a versão com caixa automática. O BMW é o mais confortável de conduzir em cidade e tem um chassis bastante equilibrado, mas, depois dos outros, o amortecimento demasiado brando (mesmo com suspensão desportiva adaptativa M) retira controlo à suspensão, provocando uma sensação de flutuar que não existe nem no Audi nem no Nissan. E como se não chegasse ser o menos ágil e acutilante nas curvas, também é o mais lento nas retas, sendo impressionante a diferença de resposta e aceleração comparativamente ao Audi TT com caixa manual; sem dúvida, a melhor maneira de aumentar as prestações de um motor é tirar-lhe 200 kg de cima.

Se existe uma marca com credibilidade para fazer um desportivo Diesel, essa marca é a Audi; o carro de competição mais rápido que produz é movido por um bloco Diesel e já venceu Le Mans por nove vezes. E, por incrível que pareça, a aceleração do motor 2.0 TDI é a primeira coisa que impressiona no Audi TT, sendo até o único carro com motor dois litros Diesel de tração dianteira capaz de fazer os 0 a 100 km/h em menos de 7 seg. por nós medido. E o melhor é que essa vitalidade não se limita aos arranques, pois dos 80 a 120 km/h em 4ª o TT faz 5,4 seg., exatamente o mesmo valor do Z Nismo e 1,1 seg. melhor que o BMW 420d. Quer isto dizer que o TT Diesel é um carro genuinamente rápido. Depois, no modo dinâmico o ruído de escape também é muito mais encorpado do que é norma num Diesel; aliás, no caso concreto do TT até transmite mais emoção que os quatro cilindros a gasolina.

A caixa rápida, precisa e bem oleada é um prazer de manusear e deixa explorar toda a performance, ao mesmo tempo que o chassis se mostra muito ágil e interativo (mais até nesta versão de tração dianteira do que nas quattro). O amortecimento não se deixa afetar por irregularidades que colocam o BMW em crise e o truque preferido do TT é entrar nas curvas em travagem com a traseira a rodar e um mínimo de ângulo de volante. Esta faculdade é especialmente útil em curvas de 90º, que podem ser feitas de volante quase direito, e permite que seja possível colocar a potência no chão bem cedo sem qualquer vestígio de subviragem ou reações de binário na direção. Nas curvas mais longas, com apoio prolongado, é a vez do baixo centro de gravidade e do autoblocante eletrónico ajudarem o TT a contornar a trajetória sem subviragem.

Porém, a nível de prazer e empenho de condução, o 370Z Nismo pertence a outro campeonato. A suspensão (com excelentes amortecedores passivos) possui uma afinação quase de carro de corridas, o que a par dos comandos pesados (no Nismo, caixa, direção e embraiagem obrigam a um esforço físico que lembra desportivos de outros tempos) faz do Nissan o mais cansativo de conduzir em cidade; mesmo devagar, tudo exige empenho e concentração para manter uma marcha fluida.

Na realidade, a grande diferença do 370Z Nismo para os seus dois rivais está na necessidade de empenho que exige ao condutor; os dois alemães são carros modernos em que o resultado é 90% carro e 10% condutor, que é como quem diz, grosso modo, basta apontar o volante para onde queremos ir que o carro faz o resto, enquanto no Nissan a repartição é mais 50% para cada lado. O chassis possui muita aderência e tração, ao passo que todo o carro se torna mais fluído à medida que colocamos mais carga, mais velocidade e mais temperatura na equação. Nessas condições o amortecimento é fantástico, absorvendo grandes ressaltos em plena travagem e aceleração, incluindo com a traseira a derivar em potência, sem provocar qualquer efeito na trajetória definida e mantendo as quatro rodas do Nismo firmemente pressionadas no asfalto, prontas a responder a qualquer ordem do “piloto”. A transição para a sobreviragem é tanto mais consistente quanto mais elevada e constante a dose de acelerador, mas é algo que só acontece se formos à procura; a forma natural de curvar do Z Nismo passa por usar o acelerador para facilitar o realinhamento final. É um carro para homens. Exige (muito) mais mas também retribui na mesma medida. O lema é: sem esforço não há recompensa.

Depois, o V6 3.7 é um motor de desportivo, com uma ponta final das 5000 rpm às 7500 rpm plena de poder e uma função de ponta tacão automático nas reduções deliciosa (SynchroRev Match). Em suma, usar e abusar deste motor proporciona um prazer e uma realização que nenhum Diesel dois litros consegue oferecer.

Resta acrescentar que combinando condução desportiva com períodos mais calmos, o V6 3.7 consome uma média de 16 a 17 l/100 km de gasolina, enquanto os 420d se fica pelos 11 a 12 l/100 km e o TT precisa de muito tempo de acelerador a fundo para fazer mais de 10 l/100 km.

Em conclusão

O 370Z Nismo é o carro mais memorável destes três (também é o único que pode vir a ser um futuro clássico), permitindo aceder a momentos de condução impossíveis para os seus rivais, mas é demasiado focado para ganhar um comparativo contra carros mais versáteis e completos; com carros tão diversos a verdadeira classificação deve ser obtida pelo leitor ponderando o que é mais importante para si. No polo oposto, junto de dois desportivos de raiz, o BMW 420d mostra as limitações típicas das soluções de compromisso; fazem tudo mas não se destacam em nada. E isto deixa o Audi TT 2.0 TDI como a proposta mais completa, pois consegue ser um desportivo muito competente, tem a melhor relação preço/equipamento e só perde para o BMW em espaço.

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