Perante o Audi Q5 e o BMW X3, o Land Rover RR Evoque sofria pelo espaço limitado do seu habitáculo; mas nunca por falta de classe. A missão do Land Rover Discovery Sport é, com algum sacrifício da estética, superar as referências alemãs em espaço (é o único SUV Premium deste segmento com possibilidade de ter sete lugares) mantendo a tradicional superioridade fora de estrada. Será esta a receita de maior sucesso?

Para liderar as tabelas de vendas neste segmento é necessário uma versão 4x2 “low cost”, mesmo se como já escrevemos por diversas vezes o peso e as dimensões destes SUV façam com que as versões 4x4 sejam dinamicamente muito superiores; a elevada altura dos centros de gravidade torna evidentes os benefícios da tração total mesmo em autoestrada com piso seco, quando mais não seja em matéria de estabilidade.

Isto para dizer que, ao contrário do Audi Q5 e do BMW X3, até janeiro de 2016, o Land Rover Discovery Sport Sport só está disponível em versões 4x4. Com o motor 2.2 de 150 cv e caixa manual o preço começa nos 48 112€, subindo aos 50 319 € se adicionarmos os dois lugares da 3ª fila de bancos. Com caixa automática os valores sobem, respetivamente, para 52 231€ e 54 721€, ainda e sempre no nível S que é o de entrada. Um Discovery Sport 2.2L TD4 150 cv Auto 4x4 HSE Luxury de 7 lugares começa nos 70 860€ e um igual ao das fotos com perto de 7 000 euros de extras custa 77 700€ em números redondos. Analisando a evolução dos preços dos rivais Audi e BMW, sendo que qualquer um dos aqui presentes também supera os 70 000€ (com 190 cv, caixa automática e tração 4x4), vemos que, pelo menos enquanto não chegam os novos 2.0 Ingenium (só em janeiro de 2016) que devido à redução de emissões vão baixar os preços do Land Rover entre 2500€ e 3500€, o Discovery Sport possui uma relação preço/equipamento nitidamente mais favorável (e permitindo um nível de personalização onde não chegam os alemães, como, por exemplo, a possibilidade de optar por carroçaria bicolor) e uma relação preço/potência comparável; com tração 4x4 os motores Diesel mais acessíveis são os 2.0 com 190 cv.

Audi está envelhecido

O Audi Q5 possui um dos habitáculos mais largos deste segmento, somando a essa facilidade a capacidade de deslocamento longitudinal dos bancos traseiros, algo que o novo Land Rover Discovery Sport também possui num nível ainda superior. De qualquer forma, não é pelo espaço que se nota ser o Q5 o modelo mais antigo dos três. Não, o que trai a idade base do Q5 é o ecrã do sistema de infotainment demasiado pequeno e com um grafismo ultrapassado (nomeadamente pela nova tecnologia da marca que integra o ecrã multifunções no painel de instrumentos), bem como um desenho mais banal dos interiores; a montagem e os materiais até são melhores que os do Land Rover Discovery Sport, mas não é essa a imagem que passa.

Para além do espaço (com os bancos traseiros na posição mais recuada o espaço para as pernas atrás supera os 850 mm) e do desenho apelativo, o Discovery Sport é o único SUV Premium deste segmento que admite sete lugares; é verdade que estes não são um paradigma de conforto (existe até uma espaço de porta copos que prejudica bastante a colocação das pernas), a acessibilidade obriga a executar algumas manobras de contorcionismo e quando os usamos temos de deixar a chapeleira em casa, mas existem, enquanto nos rivais Audi e BMW é necessário passar ao segmento acima.

Chegamos assim ao BMW X3 que, para quem a versatilidade extra dos sete lugares não tem aplicação ou representa um valor acrescentado decisivo (atenção que num carro de utilização familiar para um agregado com dois adultos e duas crianças, muitas vezes faz jeito ter, pelo menos, seis lugares), possui o melhor habitáculo: conjuga o espaço esperado (superior ao de uma berlina da marca do mesmo segmento) com um ambiente moderno e bem executado, sobretudo se optarmos pelas decorações mais desportivas, destacando-se ainda por um sistema de infotainment graficamente bem desenhado, rápido, intuitivo de manusear e muito versátil (embora represente uma opção cara).

E ao volante?

Se é um condutor que aprecia uma dinâmica evoluída e compra um SUV mais por imperativos familiares do que por opção própria, o X3 é a melhor opção. Preciso, ágil e com uma capacidade de arredondar as curvas capaz de rivalizar com a das melhores berlinas “baixinhas” concorrentes do Série 3, o X3 proporciona um verdadeiro prazer de condução. A subviragem aparece mais tarde e a combinação entre o controlo de movimentos de carroçaria (o X3 é o que menos adorna em curva) e a progressividade das reações do chassis até permite usar as transferências de peso entre eixos para curvar com menores ângulos volante de forma natural, consistente e fluída; melhor só Porsche Macan mas isso implica subir a outros valores de preço. O custo desta habilidade dinâmica acima da média está num conforto de rolamento inferior ao do seus dois rivais, mas se nos ficarmos pelas jantes de 18’’ polegadas a diferença fica bastante reduzida, com a maior flexibilidade dos pneus de flanco mais alto a fazer muito do trabalho de amortecimento a baixa velocidade.

Melhor ainda, o dinamismo do chassis está acompanhado do motor que combina as melhores prestações (a vantagem para o Audi é curta) com o menor consumo e da caixa que melhor funciona em modo manual, sobretudo na forma positiva como aceita e executa as reduções.

Mas nem todos precisam de tanto. Para esses, o compromisso proposto pelo Discovery Sport é superior ao do Q5. Ao volante do Audi sentimos sempre o peso e a altura, com uma frente mais lenta a reagir às ordens do volante, uma carroçaria que transfere mais peso para as rodas exteriores em curva e uma superior inércia em todas as respostas; e mais, se tentarmos usar a rotação da traseira para reduzir o trabalho do eixo dianteiro, o controlo de estabilidade começa a revelar-se menos subtil nas suas intervenções. A caixa de dupla embraiagem é muito rápida nas passagens ascendentes mas (mesmo nos modos de condução mais desportivos) revela indecisão na hora de reduzir, sendo também menos confortável nas pequenas manobras de cidade que as suas rivais totalmente automáticas com conversor de binário e três epicicloidais.

Por seu turno, apesar da potência inferior fazer dele o mais lento quando se acelera a fundo (para além de ser também o mais áspero em esforço, algo que o novo 2.0 a ser lançado em 2016 pretende corrigir), o Land Rover Discovery Sport parece sempre mais leve de conduzir e ágil que o Audi Q5. É verdade que a carroçaria do Discovery até acusa mais inclinação quando se curva depressa, mas a forma como este movimento é travado e a direccionalidade de acelerador em apoio tornam tudo mais natural e gracioso, para além do controlo de estabilidade ter uma notória função travagem vetorial que ajuda a ajeitar a traseira, isto apesar da escolha de pneus M+S implicar limites de aderência inferiores aos dos pneus desportivos de asfalto dos rivais alemães. Aliás, assumindo por inteiro a superior aptidão fora de estrada do Discovery Sport, até faz mais sentido optar pelas jantes de 17’’ com pneus “mais gordos” (que até tornam a estética mais aventureira) e optar por um conforto de rolamento ainda superior; por vezes, as jantes de 19’’ parecem demasiado pesadas para a taragem do amortecimento em extensão.

E o vencedor é…

Com um motor equivalente aos rivais alemães, provavelmente, o Discovery Sport seria o vencedor: tem mais espaço, é mais versátil, é melhor equipado e o que dá mais vontade de levar para um fim de semana em família; mas em janeiro vai ter um motor melhor e ser significativamente mais barato, logo… Assim, quem ganha é o BMW, sendo que a grande diferença entre este e o Audi é a habilidade; o X3 é hábil em tudo o que faz e isso faz a diferença.

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