Com a chegada do reformulado Ford Grand C-Max, surge o primeiro embate protagonizado pela versão Diesel mais acessível, o 1.5 TDCi de 120 cv que enfrenta duas referências do segmento dos monovolumes de sete lugares: o popular Renault Grand Scénic 1.6 dCi de 130 cv e o futurista Citroën Grand C4 Picasso que traz debaixo do capot o novo 1.6 BlueHDI de 120 cv associado à caixa de velocidades automática da Aisin. Automóveis de clara vocação familiar, que convidam a viagens de longo curso.

Os SUV estão na moda e têm vindo a convencer uma grande percentagem de portugueses na hora de comprar carro novo. Todavia, ainda há os que gostam de se manter fiéis ao tradicional e quando se trata de uma família mais numerosa, os monovolumes de sete lugares continuam a ser uma das opções mais racionais. Se preza a sua família e amigos, temos um conselho para si: compre um destes três MPV. Os renovados Grand C4 Picasso e Grand C-Max são as propostas da Citroën e da Ford para que ninguém fique “em terra”, com aqueles dois lugares desdobráveis na mala a desenrascarem boleia para mais um par de convivas. A estes três, e com a mesma funcionalidade, junta-se o suspeito do costume, o Renault Grand Scénic.

E é exatamente a versatilidade de possibilitarem diversos tipos de utilização que, em conjugação com os preços (relativamente) competitivos e os indispensáveis motores Diesel, os torna tão atrativos. O Grand Scenic 1.6 dCi Bose Edition fixa-se nos 34 440 euros, aos quais adicionámos o custo de alguns opcionais: 200 euros correspondentes ao sistema R-Link, 430 euros da pintura metalizada e 590 euros do pacote Safety, que acrescenta o sistema de leitura de faixa de rodagem, a câmara traseira e os sensores de estacionamento à frente e atrás. Ao todo, são 35 660 euros, contra os 30 277 euros do Grand C-Max, que oferece o sistema de navegação, o Pack Driver e 1800 euros de desconto direto; e os 36 110 euros do Grand C4 Picasso, valor que já inclui 1500 euros dos estofos em couro, 700 euros do Pacote Park Assist 360º e... 2500 euros de desconto direto.

A influência das cotas

Os centímetros extra de comprimento traduzem-se num melhor aproveitamento do espaço interior do Citroën e do Renault, ainda assim somente em largura, uma vez que em comprimento para as pernas e em altura na segunda fila, o Grand C-Max está quase ao mesmo nível. Isto é mais evidente em viagens de lotação esgotada, havendo, em todos, margem para jogar com o avanço dos bancos centrais em busca do um compromisso mais harmonioso.

O Citroën é aquele no qual se viaja mais à larga, e a bagageira é a maior das três com cinco lugares erguidos: 704 litros, contra os 631 litros do Renault e os 600 litros do Grand C-Max. Quando se dá uso aos sete lugares, o Ford é o que apresenta maiores limitações aos passageiros da terceira fila. Mas, em qualquer das propostas, os dois bancos suplementares são de recurso, sendo o C4 o que presta o melhor acolhimento e o rebatimento mais rápido e eficaz. Renault e Citroën disponibilizam três bancos individuais que se regulam longitudinalmente na segunda fila, enquanto o Ford, tem um bom acesso aos bancos “lá de trás”, muito por culpa das portas traseiras de abertura deslizante. Na segunda fila disponibiliza dois bancos e meio... o central é mínimo e pode ser guardado dentro do banco da direita, permitindo criar um habitáculo com seis lugares individuais, sendo os dois da segunda fila muito confortáveis.

Com os sete lugares montados, o modelo do losango oferece uma bagageira de 208 litros com a vantagem de permitir a arrumação da chapeleira. No Citroën, este espaço fica-se pelos 170 litros, enquanto no Ford desce para uns pouco generosos 92 litros.

Com a instrumentação digital ao centro do tablier, no caso do Renault e do Citroën, e na posição “normal” à frente do condutor no Ford, os ambientes interiores dificilmente poderiam estar mais distanciados. O Renault tem uma apresentação pouco efusiva e já datada (é o mais antigo dos modelos em confronto), as cores são um nadinha “aborrecidas” e os materiais estão abaixo dos que se encontram a bordo dos seus adversários. No Grand C4 Picasso, vive-se uma atmosfera mais sofisticada, futurista e dada ao luxo. Pela aparência e pela qualidade intrínseca dos seus componentes, o interior do Citroën corresponde ao segmento acima e, além disso, também é o que nos brinda com as melhores soluções práticas, como a consola central deslizante ou o espaço fechado (com luz independente) para ligar as fichas USB, AUX e HDMI. Destaque ainda para os bancos dianteiros com massagem, e o do pendura com um apoio de pés, argumentos que fazem parte do pacote couro do C4. Soluções práticas também existem no Renault e no Ford, mas se o primeiro mantém uma consola central deslizante como o Citroën, o Ford apresenta espaços normais idênticos aos de um Focus, posicionados apenas num patamar mais elevado.

Suavidade ou potência?

Os três monovolumes deste comparativo estão perfeitamente à-vontade para o acompanhar ao longo do ano, seja a caminho do escritório ou na ida “à terra” durante as épocas festivas, mas é com o Citroën que mais apetece viajar. A este facto não é alheia a presença da nova caixa de velocidades automática EAT6 da Aisin, uma caixa que se enquadra perfeitamente no perfil deste monovolume e que faz esquecer que alguma vez existiu a caixa robotizada que tornava a condução do Grand C4 pouco fluída. Mas não é o mais confortável. Neste particular, o Grand Scénic superioriza-se, apesar de o Ford ter um pisar muito sólido. A suavidade com que “apaga” as estradas de mau piso e os bancos confortáveis fazem-nos crer que não é só a “escola francesa” que tem bons alunos… Mas há mais, o Ford é, muito possivelmente, um dos monovolumes com melhor comportamento e o que mais agrada aos condutores “afoitos”, mas, tratando-se de um MPV, não podemos descurar o bom desempenho do Grand C4 e Grand Scénic. Mesmo assim, o modelo do “double chevron” consegue controlar melhor os movimentos de oscilação da carroçaria, numa clara evolução face ao Grand C4 Picasso anterior, o que é um dos bons argumentos da sua plataforma global EMP2.

É espantoso o que um 1.5 Diesel é capaz de fazer. O motor usado pelo Ford tem menos cilindrada que os outros, mas é muito discreto, vibra pouco e em algumas situações, denota ser bastante elástico, andando mais do que as nossas medições revelam. Mas, talvez como forma de combater uma relação peso/binário menos favorável, o acelerador tem um início de curso mais sensível e nem sempre se consegue um arranque imaculado. O Renault vale-se do facto de ser o mais potente para arrecadar as melhores acelerações, o motor é globalmente mais disponível e podemos arrancar com o rádio em altos berros sem receio de falhar o ponto de embraiagem. No entanto, este é o motor menos suave, uma vez que, perto das 2000 rpm, se sente a entrada do turbo com alguma veemência, mostrando brusquidão nesta fase.

A unidade 1.6 BlueHDI que anima o Citroën mostra-se a melhor de utilizar em regimes baixos, evitando grandes hesitações abaixo das 1500 rpm, com a ajuda da caixa automática. Também por causa deste componente, a fluidez no desempenho do motor, acelerações e recuperações regista uma evolução significativa. Quanto a consumos, pouco ou nada há a registar a não ser, praticamente, um empate técnico. Todavia, o Grand Scénic passa por ser o menos económico em cidade, mas as diferenças são mínimas. Destaque também para o elevado poder de travagem de qualquer destes três contendores. Os valores por nós medidos, como pode observar na tabela ao lado, denunciam que a família está em perfeita segurança.

E no fim ganha...

O Ford tem um posicionamento competitivo, especialmente quando se estabelece um paralelo entre o preço, a cilindrada do TDCi e a lista de equipamento, mais os descontos que propõe. Mas é o Grand C4 Picasso que leva a melhor: mais refinado e habitável, com uma relação preço/equipamento atrativa e uma presença em estrada que privilegia o bem-estar dos ocupantes, o modelo francês continua a redefinir padrões na categoria. Quanto ao Renault e mesmo sendo o mais antigo dos três projetos, não deixa os créditos por mãos alheias e ainda consegue deixar a sua marca no segmento.

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